Estico minha canga de listras coloridas no meio da grama e
você deita. Desculpo-me por ser grama e não areia. Mais você entende que
moramos nessa cidade com cheirinho montanhoso. Então estou improvisando e dando
um jeitinho de você assistir a esse pôr-do-sol e conseguir até sentir o
cheirinho do mar.
Deixa eu deitar ao seu lado?? Prometo deixar espaço. Não encostar a minha
mão na sua e ficar olhar o céu de um jeito que você nem vai cruzar com o meu
olhar. Tem uma parte minha que sabe que
nos encaixamos, mais que briga com a outra para não nos encaixarmos.
Eu tenho medo de te perder. E essa coisa sem nome, agora
passa a se chamar Amor. Tudo sem nome é bem mais belo. Gosto de sentir uma
coisa que não sei o que é. Porque sei que você está sentindo igual. Quando se
cria nome alguém sempre sente bem mais.
Não posso mais fazer nada se nossos olhares já se cruzaram e
eu estou aqui, deitada em seu peito. Fica mais fácil falar todas as minhas
besteiras olhando em seus olhos. Você finge me entender sempre, e me dá suas
mãos. Suas mãos são gordinhas e pequeninas e isso me traz muita paz e proteção.
O momento é tão belo e cheira a primavera e eu consigo ouvir o soar dos
pássaros, misturados a sua voz.
A lua já apareceu e nós perguntamos onde estávamos á trinta
minutos a trás. Tudo faz muito mais sentido nesse segundo, rindo dos nossos
novos sentimentos e ao mesmo tempo os evitando.
O sol já se pôs meu amor, e já é hora de ir embora....
